Ceará Mirim, cuja geografia está em nós, quando o sentimos descer silenciosamente pelo vale, estender-se pela planura verde, tomar nos braços o seu velho rio e fluir com ele, como se caísse dos Andes nas desinquietas ondas do mar de Muriú.
Eis o Ceará Mirim que me ficou e que procuro cada vez que o vejo, como quem perdeu alguma coisa e perdeu tudo; como quem tenta voltar sem ter saído; como quem já não encontra as pedras nos seus lugares, que até elas, rudes peregrinas, também se vão, tangidas como folhas endurecidas que o vento leva, sem respeitar nelas nem o pêso nem a idade.
(BARBOSA,Edgar. 1965, Apud MONTEIRO, Francisco. Itinerário Sentimental do Ceará Mirim,1965,pag.06)
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