De que me importa uma torneira seca, se não tenho sede; ou a luz apagada, se o que quero mesmo é esconder-me na escuridão; ou ainda uma porta fechada com a chave do lado oposto.
Importa-me o pior, a renúncia à liberdade; a renúncia à sede, que me faz abrir a torneira; a renúncia ao desejo de luz, que me impede mostrar o rosto; a renúncia ao aberto, que me faz girar a chave.
Importa-me o pior, esta secura; esta escuridão; esta prisão, que já não está fora de mim, mas que tornara-se eu mesmo, com minha falta de sede, com minha predileção pelo escuro, com minha falta de vontade de girar a chave da minha vida.
Antônio Augusto da Silva Júnior