Cisne branco que como rosa és verde
Que de tão verde, tinges o vale.
Que como homem és rio, Nilo.
Que como casa és abandono.
Teu semblante é pálido e melancólico
Teu cenário, tão escuro;
Porque tudo é desordem no escuro da ausência sobre tudo de cores vivas.
Teu tema é silencioso, abandono.
Teus brancos galgos, onde estão?
Acaso te abandonaram teus fies guardiões?
E teus deuses alvejantes? Não os vejo acimados em teus platibandas!
Morada dos Deuses,acaso o Olimpo revoltara-se contra vós, e todos abandonaram-te?
E as grades que te protegiam?
Acaso dá corpo aquele maciço descomunal de ferragens retorcidas?
Tuas folhas de janelas, teus almofadados de portas, tuas vidraças estilhaçadas,
Agora tudo se amontoa em um volume colossal.
Não és, uma construção; estais repartida, fundida, fragmentada.
Aqui um cômodo, ali outro e acolá um corredor, que já não liga teus cômodos;
Triste sina de lugar que não foi bastante amado.
Parece suplicar, reivindica por devolver-lhes de longe os gestos esquecidos.

Acoberta o quadro o avanço vegetal,
O canavial cumpre seu papel em prol daqueles que o semearam,
Assume a função de cortina vulgar de decência,
Disfarçando a nudez dolorosa de vossa ruína.
Se cerro os olhos e ao passado incorporo,
Encontro-vos em minhas lembranças de visão infantil,
Tão nobre, tão senhorial.
Se desperto, não torno mais a ver-te, estranha morada.

Oh casa se te respeitassem!
Oh rosa se te regassem!
Oh cisne se fosses fênix!
ANTÔNIO AUGUSTO JÚNIOR
* Fotos do acervo de Gibson Machado



